FÉ, FUTEBOL E VITÓRIAS

No dia 11 de maio, o jogador Lucimar Ferreira da Silva teve finalmente a certeza de que estará na África do Sul para defender as cores da seleção brasileira durante a Copa do Mundo de 2010, pois o nome dele estava entre os dos 23 convocados por Dunga para representar o Brasil nesta competição.

Durante os últimos anos, Lucimar, que é popularmente conhecido como Lúcio, tem sido um dos protagonistas da equipe de futebol masculino do Brasil. Ele, que atua na Inter de Milão (Itália), é considerado um dos melhores zagueiros do mundo na atualidade e ocupa a posição de capitão da seleção brasileira.

Em campo, Lúcio é conhecido por força física, seriedade e raça. Porém, fora dos gramados ele, que no Brasil frequenta uma igreja batista, se mostra uma pessoa afável, que valoriza a família e que é comprometida com Deus.

Em meio à expectativa do início da próxima Copa do Mundo, na qual o Brasil tentará conquistar seu sexto título mundial, O Jornal Batista conversou com Lúcio, que falou das expectativas para o próximo Mundial, das vitórias que já alcançou (como a obtida na Copa das Confederações de 2009) e de seu relacionamento com Cristo Jesus.

O Jornal Batista – Você sonhava em ser um jogador de futebol quando era criança?
Lúcio Eu, como todas as crianças no Brasil, sempre gostei de futebol. Para mim, jogar futebol sempre foi uma alegria, sempre foi um sonho. Porém, não podia imaginar que chegaria onde cheguei: Jogar na seleção e em um grande clube da Europa. Viver isto hoje me deixa muito feliz e grato. Reconheço a mão e o poder de Deus na minha vida e trabalho.

OJB – Como foi a sua primeira convocação?
Lúcio Eu estava com a minha esposa quando fui convocado pela primeira vez. Acho que foi em setembro de 2000. Sem dúvida alguma, foi uma emoção muito grande receber aquela notícia. Eu e minha esposa choramos muito, compartilhando um momento muito bom de alegria. Hoje tenho muitos jogos pela seleção, mas, sem dúvida, o primeiro foi muito bom, foi a realização de um sonho. Sem dúvida alguma, vemos neste sonho a mão de Deus.

OJB – Você acaba de ser convocado para defender o Brasil na Copa do Mundo.  Como você encara este desafio?
Lúcio Nossa vida é feita de sonhos e desafios. Sem dúvida alguma, este também é um sonho que tenho: Disputar a Copa do Mundo pela seleção do meu país.

OJB – Na sua opinião, quais devem ser os maiores adversários do Brasil na próxima Copa? Por que?
Lúcio O Brasil tem uma grande tradição. Entretanto, sempre podem surgir surpresas com equipes como Espanha, Inglaterra, Argentina e França na Copa.

OJB – Você é o atual capitão da seleção brasileira. O que representa ser o capitão de um time de futebol?
Lúcio O papel do capitão, primeiramente, é procurar passar para os companheiros um espírito de equipe e um espírito de disciplina. Dentro da seleção brasileira é poder motivar os companheiros, manter um grupo saudável de amizade e dentro dos jogos passar motivação, sempre falar positivamente, sempre acreditar até o último minuto, além de ser profissional em cada treinamento e jogo. Sem dúvida alguma, acho que o papel do capitão e de todos os outros líderes é fundamental.

OJB – Como foi a experiência de conquistar a Copa das Confederações em 2009 na África do Sul?
Lúcio Foi um momento muito especial para mim. Uma grande experiência profissional. Além disso, pude ver a mão de Deus atuando claramente na minha vida naquele momento. Sabemos que na seleção brasileira cada jogo é uma cobrança e uma disputa muito grande. Além das cobranças da seleção brasileira, eu passava por uma fase de transição em meu clube (na época o Bayern de Munique, da Alemanha) com um novo treinador. Porém, graças a Deus, no final pude ver a misericórdia e a graça de Deus para com a minha vida.
Na final da competição, cheguei a pensar em alguns momentos que o Brasil não poderia sair campeão diante dos Estados Unidos, principalmente quando estávamos perdendo de 2 a 0. Era um momento difícil, mas eu reconheço a ação de Deus naquele momento, pois mantivemos a calma e continuamos lutando e jogando. Assim, no final viramos o jogo (o Brasil venceu a partida no final por 3 a 2 e conquistou a competição). Sem dúvida, não conseguiríamos fazer isto sozinhos.
Acredito que a fé que tivemos naquele momento foi fundamental e, acima de tudo, reconhecemos o poder de Deus atuando sobre nossas vidas naquele momento. No final demos glórias a Deus, o que é mais do que justo por aquilo que Ele fez nas nossas vidas, e naquele jogo em especial.

OJB – Qual o sentimento de marcar o gol que garantiu o título da Copa das Confederações?
Lúcio Aconteceu em um momento decisivo, no qual o jogo estava empatado. Foi realmente especial marcar, no finalzinho do jogo, o gol que deu a vitória e o título ao Brasil, o meu primeiro título como capitão da seleção brasileira. Este foi um momento no qual pude ver mesmo a mão de Deus, a misericórdia de Deus na minha vida pelo momento que passava. Naquele momento só podia agradecer a Deus e glorificar a Ele junto com os companheiros, comemorar aquele momento tão grandioso na minha vida e na vida de todos nos que estavam ali. Este foi um momento espetacular de minha carreira.

OJB – Sabemos que na seleção há muitos jogadores cristãos. É comum vocês terem momentos de culto juntos? Como eles acontecem?
Lúcio Graças à Deus temos muitos jogadores evangélicos na seleção. Respeitando os horários e programações, sempre separamos um dia na semana para lermos juntos a Bíblia, além de orar.

OJB – Como é a sua relação pessoal com Deus? O que Ele representa para você?
Lúcio Procuro ter um relação diária com Deus, pois sei que Ele sabe o que é melhor pra mim em todas as situações. Ele representa vida, amor e paz. É a nossa salvação. Ele me ama incondicionalmente e me faz feliz.
A diferença de ter Jesus no coração está no fato de que no mundo aí fora você vale o que você é, o que você tem. Para Jesus, independentemente do que você tem ou do que você é, ou de onde você joga, ou do que você faz, independentemente do seu trabalho, da sua profissão, Jesus te ama da mesma forma. Eu vejo esta verdade tanto quando eu venço como quando eu perco, quando eu chego em casa depois de uma partida ruim, onde não conseguimos vencer, onde até mesmo eu falho às vezes. Então, para Deus, eu continuo a ser o mesmo. Ele me ama da mesma forma. Acredito que esse é o verdadeiro amor, e isso me motiva, motiva minha família, a buscar a direção de Deus a cada dia.

OJB – Como você entregou sua vida a Jesus?
Lúcio Quando adolescente, passei a ir à igreja com minha mãe e comecei minha caminhada com Cristo. Porém, só fui batizado em 1998, no mesmo ano do meu casamento.
Deus me mostrou que Ele pode me levar muito além daquilo que eu penso. Às vezes pensamos em coisas muito simples. Porém, Deus tem planos muito maiores para nós. Foi através das experiências com Deus que eu pude aceitar Jesus e saber que Deus tem uma obra muito grande na minha vida. Sem dúvida alguma, hoje posso dizer que Deus tem feito coisas na minha vida que eu nem imaginaria: Como ser um jogador profissional em grandes equipes, conquistar títulos, ter uma esposa, ter filhos saudáveis e poder ter filhos que estão também caminhando pelo mesmo caminho de aceitar Jesus.

OJB – Quais os desafios que o cristão enfrenta no mundo do futebol?
Lúcio Penso que isso é muito particular. Para mim é manter o equilíbrio em meio a tantas coisas: Assédio, fama, dinheiro, etc. Creio que a sabedoria que vem de Deus é fundamental para alcançar esse equilíbrio.

OJB – Como equilibrar o futebol e a família?
Lúcio É difícil, pois o futebol exige muito às vezes, então eu trabalho para deixar o futebol um pouco de lado quando chego em casa. Assim concento minha atenção na minha esposa e em meus filhos. Acredito que isso também alegra o coração de Deus, quando cuidamos bem da esposa e filhos, que são presentes de Deus para mim.

OJB – Você frequenta alguma igreja na Itália? E no Brasil?
Lúcio Aqui na Itália ainda não. Na Alemanha frequentava a Assembleia de Deus. No Brasil somos membros da igreja batista. A Bíblia é o manual de vida de minha família. É uma forma de aprender mais sobre a vontade de Deus, além disso ela apresenta o melhor caminho para viver e nos mostra o que é realmente importante na vida.

Fonte: O Jornal Batista, Edição 21, Domingo, 23/05/2010FÁBIO AGUIAR LISBOA e STUART WEIR. Esta matéria é composta por duas entrevistas dadas pelo zagueiro Lúcio: Uma para o editor de OJB, Fábio Aguiar Lisboa, e outra para Stuart Weir, da Verité Sports e que gentilmente cedeu seu material para OJB. 

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Sobre Vitor Hugo Mendes de Sá

Vitor Hugo Mendes de Sá é casado com Linéa Dias Mendes de Sá e tem duas filhas: Juliana e Mariana. É pastor por mais de 33 anos, evangelista, formado em teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. Tem cursos em clínica pastoral, capelania hospitalar, pós-graduação Latu Sensu em ciências políticas e educação(UNB), Liderança avançada pelo Instituto Haggai. É também, Bacharel em Direito(FDCI). Tem sido orador de conferências no Brasil e no exterior. Pastor da Primeira Igreja Batista na Penha-RIO. Autor dos livros: Orando com Propósito e Rompendo as Muralhas na Família, ambos publicados pela MK editora.
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