A cada semana, milhões de pessoas freqüentam igrejas no mundo inteiro. O que impressiona é que poucas dessas pessoas sabem dizer qual o propósito de irem às igrejas. Podem até ter uma vaga idéia, mas seria difícil colocá-la em palavras. O cultuar não deve ser motivado como um ritual, mas sim como uma celebração a Deus; não pode ser por tradição, mas por convicção cristã; não deve ser por um mero compromisso social, mas por satisfação espiritual.

A definição de culto, apresentada pelo teólogo anglicano do século passado William Temple, é muito interessante. Ele disse que “Cultuar é avivar a consciência pela santidade de Deus, alimentar a mente com a verdade de Deus, purificar a imaginação pela beleza de Deus, abrir o coração ao amor de Deus, devotar a vontade aos propósitos de Deus”.

Nos dias atuais parece que estamos perdendo a noção exata do que significa cultuar a Deus “em espírito e em verdade”, conforme foi ressaltado pelo próprio Senhor Jesus Cristo, no diálogo com a mulher samaritana, junto ao poço de Jacó, na localidade de Sicar. A ênfase em cultuar deve ser como resultado da experiência de salvação em Cristo Jesus. “Pois virá o tempo, e, de fato, já chegou, em que os verdadeiros adoradores vão adorar o Pai em espírito e em verdade. Pois são esses que o Pai quer que o adorem.” ( João 4: 23). Deus é o foco da verdadeira adoração.

Com o advento de Jesus como o Messias de Deus, a porta da adoração foi amplamente alargada, pois a visão do Antigo Testamento foi restaurada. A mulher samaritana, ao encontrar-se com Jesus, experimentou nova vida, que lhe proporcionou um novo sentido de adoração.

O termo grego “proskynein” significa literalmente “a atitude da pessoa que se prostra diante de Deus como um verdadeiro adorador”. Os “adoradores verdadeiros” são aqueles que adoram realmente com todo o seu ser e isso acontece como resultado de um novo nascimento e a ação do Espírito Santo em nós.

Hoje em muitos dos nossos chamados “cultos ou celebrações”, constatamos a falta de compromisso e responsabilidade no ato de adorar. De um lado, aqueles que defendem uma liturgia mais tradicional e conservadora; de outro lado, aqueles que advogam uma celebração mais contemporânea e liberal, enquanto que o autêntico ato de adoração e culto, acontece no coração e não se fundamenta em ações exteriores. “Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:22-24).

Vale à pena ressaltar a necessidade neste tempo, de um auto-exame espiritual, fundamentado unicamente nas Escrituras Sagradas, de forma honesta, coerente e acima de tudo sincera. O propósito seria o de alinharmos a nossa conduta como “adoradores” não conforme os padrões humanos, tendências teológicas ou ondas e inclinações de padrões, quer sejam do passado ou do presente, conservadores ou contemporâneos, mas antes e acima de tudo, conforme uma postura que glorifique somente a Deus em nosso viver.

Na verdadeira adoração, as nossas feridas são saradas, as nossas necessidades são atendidas, o nosso coração é inflamado pelo Espírito Santo e o Senhor é exaltado. Amém.