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criança felizHá direitos básicos à vida. Todo animal precisa de abrigo, proteção, alimento e água para viver – seja um ninho para as aves, uma toca para as raposas. Muitas de nossas crianças estão sendo privadas dessas necessidades tão essenciais à vida animal.

Olhando a vida de Jesus, percebemos o quanto esses direitos básicos lhe foram propiciados. Ele teve o direito de viver em família. Nasceu num lar pobre, mas desfrutou do acolhimento amoroso de seus pais, que sonharam com a sua chegada (Lc 2.21). Jesus teve direito à cidadania – tinha um nome e uma identidade vinculada com a cidade natal, Belém (Mt 2.6).

Ele desfrutou de todas as celebrações destinadas às crianças de sua cultura. Foi apresentado no templo sem qualquer discriminação. O sacerdote Simeão o recebeu como príncipe e celebrou poeticamente a chegada do Messias. As festas judaicas também fizeram parte da vida de Jesus. Na adolescência foi a Jerusalém como de costume: “Todos os anos seus pais iam a Jerusalém para a festa da Páscoa” (Lc 2.41). Numa dessas ocasiões, Jesus estava com 12 anos de idade. Ele teve o direito de conversar com autoridades importantes, que não impediram um adolescente de ter acesso aos seus conhecimentos e diálogos. Jesus os ensinou e fez perguntas. O verso 47 diz que eles estavam maravilhados com o seu entendimento e as suas respostas. Qual o espaço para perguntas e questionamentos de crianças e adolescentes em nossos ambientes religiosos? Como eles participam de nossos diálogos e de nossa liturgia?

Jesus teve o direito e o privilégio de participar de uma comunidade que inspirava confiança e tranqüilidade aos pais. Eles foram à festa em Jerusalém, mas somente depois de um dia de caminhada Maria e José perceberam que Jesus não estava entre eles. Vieram encontrá-lo depois de três dias. O que gerava tanta confiança nos pais? Por que não se preocuparam antes em saber se o menino vinha com eles? O verso 44 responde: “Pensando que ele estava entre os companheiros de viagem, caminharam o dia todo”. Como sociedade civil organizada precisamos exigir dos órgãos públicos esses direitos de segurança, lazer e socialização para nossas crianças e nossos adolescentes. Devemos mudar a cultura de violência nos bairros das grandes cidades. Grupos criminosos organizados passaram a formar líderes jovens nas comunidades. Precisamos devolver às nossas crianças o direito de escolher outros tipos de liderança capazes de amar, pacificar e viver com solidariedade.

“Jesus ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (v. 52). A sabedoria é fomentada quando há um ambiente favorável ao aprendizado. O crescimento em estatura depende da boa alimentação, do cuidado com a saúde. E o crescimento em graça diante de Deus e das pessoas depende da chance de praticar uma espiritualidade de comunhão com ele e com os homens. O que estamos fazendo para que as nossas crianças tenham acesso ao conhecimento e cresçam em estatura e graça diante de Deus e das pessoas?

(Autor: Carlos Queiroz)