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4501-018A todos familiares, amigos, irmãos, conhecidos e desconhecidos que, estando perto ou longe, me têm sustentado em oração ultimamente, eis meu relato pessoal do que comigo tem acontecido nos últimos 10 dias:

Sou conhecida por muitos como uma menina de fé. Em diversas situações, desde criança, sou apontada como aquela que tem hábito e prazer na leitura da Bíblia e proximidade com Deus. Não é raro me enxergarem como alguém que tem plena convicção daquilo em que crê e da certeza do poder de sua fé em Deus.

Isso tudo foi constante verdade em minha vida, intensificando-se ainda mais quando tive pela primeira vez um sangramento no maior dos cavernomas no meu cérebro, o que me deixou em coma por uma semana e quando Deus me trouxe de volta sem sequela alguma apesar das circunstâncias contrárias. Através dessa experiência senti Deus de forma incrível muito perto de mim, respondendo minhas orações de maneira literalmente divina.

O tempo passou, e a minha humanidade voltou à tona. E eu, Mariana, a ela dei ouvidos. Aos poucos deixei a Medicina humana que eu estudo tomar o lugar da minha fé no Médico dos médicos. Desde meu AVC em 2011, apesar de várias medicações já testadas, ainda não estava livre de crises convulsivas parciais, que continuavam a me abater com certa frequência. Sobre isso, no fundo, eu já tinha desistido. Continuava me medicando, mas entendendo que, para o resto da vida, em média a cada duas semanas, Deus não iria impedir que  por alguns segundos eu tivesse uma crise convulsiva.

Até que dia 02/12/13 chegou. Estava no hospital em minhas atividades diárias como interna do curso de Medicina, quando tive uma das minhas indesejáveis crises em pleno corredor do hospital, enquanto conversava com colegas. Deitei-me no chão, e prontamente me acudiram. Depois de algum tempo, fui relembrada por um dos neurocirurgiões que encarecidamente foi me ver, que seria interessante repensar a possibilidade, com outros profissionais mundo a fora, de fazer a perigosa cirurgia para retirada do cavernoma que sangrou dois anos antes.

Cheguei em casa abalada. Há algum tempo não tinha uma crise tão prolongada, e há muito tempo não pensava de forma tão intensa sobre a retirada do maior dos meus cavernomas. Decidi descansar um pouco, e mais tarde ir à academia com minha colega. Apesar de sentir um pouco de dor de cabeça, eu, teimosa, tomei uma novalgina e para a academia fui. Para minha supresa, ali mais uma crise convulsiva me abateu durante um dos exercícios. Não terminei a sequência e voltei para casa, já irritada, e estranhando o que estava acontecendo comigo. Cheguei em casa sozinha. Tranquei a porta. Já sabia que só queria fazer uma coisa. Brigar. Só com uma pessoa: Deus.

Foi o que fiz. Nunca, em toda minha vida, orei de forma tão sincera. O que disse a Deus só precisa ficar entre eu e Ele, mas foi a verbalização do que eu sentia: a frustração de crer em um Deus que parecia estar cada vez mais longe de mim (ou, preciso confessar, de quem eu estava cada vez mais longe). Perdi a energia da conversa calorosa com Deus quando, de novo, convulsionei. Desisti. Deitei, e ali fiquei, a espera dos meus pais, que em breve provavelmente chegariam em casa.

Quando em casa eles chegaram, já tinha perdido a conta de quantas vezes eu tinha convulsionado. Na minha cabeça, só uma idéia, por mais contraditória que possa hoje parecer, era constante: sangrei de novo, e dessa vez, estou sozinha. Quando meus pais viram meu estado, já trêmula, pálida e sem conseguir falar direito, sugeriram que fôssemos para o hospital e eu, sem titubear, pela primeira vez, concordei. Ali, submeteram-me a novos exames de imagem, sobre os quais alguns médicos indicavam como apresentando novos sangramentos e outros não. Ao relatar o caso a alguns profissionais tanto de Belém quanto do Rio e inicialmente observar-se a possível indicação cirúrgica, decidimos ir ao Rio ser acompanhada pela equipe que já conhecia meu caso, desde a ocorrência do meu AVC, há dois anos.

Entenda: até aqui, eu, Mariana, me fundamentava na minha Medicina. Cheguei no Rio. Fui, direto, do aeroporto, para a UTI. Era isso o que a Medicina humana indicava. Ali fiquei alguns dias, a espera da decisão médica final. Enquanto isso, decidi estudar. Recorri à internet no meu celular, e comecei a ler inúmeros estudos científicos já realizados sobre procedimentos cirúrgicos que visam retirada de cavernomas em localizações delicadas. Lia, lia, lia; aprendia, aprendia, aprendia; não tinha paz. Sabia as sérias consequências que poderiam resultar da cirurgia a que seria submetida mas, da mesma forma, temia tantas outras que poderiam advir de outro sangramento, caso surgisse. E no meio disso tudo, me sentia só, longe do único que antes tão perto de mim esteve. Mal sabia eu que tudo o que estava naquele momento experimentando era por Ele mesmo planejado para responder a oração que fiz de forma tão sincera alguns dias antes.

Foi então que, finalmente, decidi me entregar. Recorri à palavra do Criador. Li e cri que “o justo viverá pela fé.” e “ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem”. Como muitos sabem, registro o que oro. Aqui está parte da minha oração naquele dia: “Pai, dá-me mais fé, eu preciso de Ti nesta hora. Desse assunto eu quero tratar agora especificamente contigo. Abri mão dos jornais médicos, de opiniões diversas e da inteligência humana. É a Tua voz que quero ouvir e obedecer. Só a Ti. Tu me criaste e me conheces por inteiro. Faze-me entender se, pela fé, devo entrar naquele centro cirúrgico! Orienta o encontro dos médicos amanhã… que o Senhor seja o presidente daquela reunião, e que o veredito final seja seu.”

No dia seguinte, o veredito final foi dado por Deus. Finalmente identificou-se que não houve sangramento, e pude sair da UTI, ficando por mais alguns dias no hospital para ajuste medicamentoso. Deus me ensinou que a Medicina em que eu creio traz muitos benefícios, mas não pode ser a minha única fonte de confiança. A Medicina que eu estudo é linda e muito necessária, mas não pode ser considerada a última esperança. Quando eu apenas  nela confiei, senti-me sozinha e com medo. Quando finalmente me rendi ao Supremo Doutor, Ele esclareceu aos médicos humanos as dúvidas que ainda persistiam.

O que aconteceu foram inúmeras crises decorrentes de medicação anticonvulsivante insuficiente que precisaria ser reajustada. Luto com esse reajuste há dois anos, e espero dessa vez conseguir alcançá-lo. Em todo esse contexto, em muito devo agradecer a vocês por me sustentarem em oração de forma tão maravilhosa. Palavras não podem expressar o quanto meu coração gostaria de verbalizar a cada um de vocês, que tem feito real diferença na minha VIDA. É VIDA o que eu tenho experimentado, e grande parte disso é em resposta às suas orações. Muito obrigada. Do fundo do meu pequeno coração, muito obrigada. A vida que eu vivo Deus me deu por misericórdia a mim, apesar de quem sou, mas também porque ouviu às orações de vocês. Grata sou!