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passarosEm dezembro de 2015 aconteceu no Zoológico de São Paulo uma interessante conferência sobre os pássaros psitacídeos. Dentre os palestrantes foi convidado o holandês Dr. Jan Hooimeijer, especialista nessa família de aves que reúne mais de 360 espécies. Dr. Jan ficou conhecido no mundo por observar o comportamento dos pássaros em situações adversas, como enchentes, incêndios e desmatamento de florestas. No decorrer de um longo tempo ele pesquisou o comportamento dos pássaros quando perdiam seu ninho por alguma situação. Sua pesquisa levantou dados interessantíssimos, como: em geral os pássaros que perdiam seus ninhos migravam para outras localidades durante algum tempo, mas depois voltavam; quando encontravam a possibilidade de reconstruir seu ninho, o faziam bem perto do local anterior. Poucos foram os que migraram definitivamente. E um fato curioso é que em determinadas situações, como enchentes ou tempestades, alguns pássaros morriam porque simplesmente não saíam do lugar onde haviam se estabelecido anteriormente.

Tal pesquisa ilustra muito bem o comportamento humano. De vez em quando nós vemos nosso “ninho” ser destruído e não sabemos exatamente para onde ir. Esse ninho pode ser comparado à nossa estabilidade profissional, a projetos que até então estavam dando certo ou mesmo a ideias que concebemos no passado e que para nós seriam duradouras. Mas aí vieram situações adversas, como mudanças radicais na sociedade, novas maneiras de realizar as rotinas, ideias novas, e um mundo novo comparado a uma tempestade destruiu nossa estabilidade, nossa zona de conforto e nossa tranquilidade operacional ou mesmo emocional. E como pássaros que perderam o ninho, muitos ficam por perto, tentando retornar ao passado ou às antigas ideias, aguardando apenas uma oportunidade para reconstruir o ninho destruído. E quantos, aguardando tal oportunidade, acabam morrendo. Morrem na sua capacidade de produzir algo novo, nos seus sonhos ou na sua visão.

Ninhos destruídos podem ser oportunidade para migrar. E essa talvez seja a melhor coisa a ser feita. Construir algo novo. Repensar a vida. Criar novas rotinas, ideias, costumes, relacionamentos. Migrar nem sempre é sair de onde se está, mas sim sair da zona de conforto ou da tradição que se tornou não um ninho, mas sim uma prisão. Podemos migrar para os tempos novos que a vida nos oferece e que Deus permite. E, como pássaros que perderam o ninho, podemos descobrir que um pouco mais longe existe a possibilidade de se construir um novo ninho, melhor que o anterior e que servirá de abrigo até que venham novas tempestades, incêndios ou simplesmente as novas situações que acompanham a dinâmica da vida e da história.

(Autor:Guilherme de Amorim Avilla Gimenez)