Mulheres vítimas de violência doméstica

Há homens vítimas da violência doméstica? Certamente que sim, mas em proporções incomparáveis à sofrida pelas mulheres. A força bruta, o histórico predomínio econômico-financeiro, o desenvolvimento de uma cultura machista e o vigilante controle para sua manutenção, na qual a mulher se tornou uma ferramenta a serviço da comodidade do homem, um objeto para satisfazer suas necessidades sexuais, são alguns elementos que estão por detrás da violência contra a mulher.

E a igreja, o que tem a ver com isso? Lembro-me da experiência contada por uma amiga, Assistente Social, trabalhando numa Delegacia de Polícia. Uma mulher compareceu perante ela para registrar uma ocorrência contra seu marido que a agrediu fisicamente. Ele a acompanhou. Enquanto ela era atendida pela delegada, ele ficou conversando com a Assistente Social. Evangélico, justificou a agressão em “bases bíblicas”. Se a Bíblia determinou a submissão e a mulher desobedeceu, não lhe restou outra alternativa, senão a penalidade física.

O poder faz isso. Mal entendido e sentido, ele não permite que enxerguemos a possibilidade de convivência entre visões paralelas. Diálogo, portanto, não faz parte do seu vocabulário. Só deve haver uma visão de mundo, de realidade, dos fatos, enfim. Se não há afinidade, o outro é que está cego e, portanto, qualquer meio se torna válido para ajustar a pessoa divergente à minha verdade. Se não se ajusta ao meu modo de pensar através da força do argumento, que seja pela força física. Mas tem que se ajustar…

Não existe ser humano “naturalmente” submisso. Existem homens e mulheres que se ajustam à base da relação custo-benefício. Em outras palavras, ninguém se submete a ninguém por uma convicção ou prazer inerentes à sua natureza. A submissão sempre é resultado de conveniência. Avalia-se, consciente ou inconscientemente, o que se ganha ou se perde dependendo da postura adotada e, assim, adota-se um discurso, um comportamento, uma postura. Por isso, sempre que alguém se apresenta submisso sem que haja algum tipo de ganho que dê sentido à sua atitude, certamente há um processo de adoecimento emocional latente que, um dia, pode explodir de alguma forma geralmente negativa, no mínimo pra si mesmo.

Se há mulheres vítimas de violência é porque nós homens não aprendemos a lidar com o poder. A igreja colabora com isso sempre que defende a manutenção de qualquer tipo de relacionamento entre homens e mulheres, seja na família, na ministério eclesiástico, na vida profissional, enfim, que não seja movido por uma consciência de que ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus e, portanto, que não seja caracterizado por interdependência, diálogo, amor e mútua submissão.

A igreja contribui para a violência contra a mulher quando insiste em interpretar literalmente (prefiro popularmente) os textos que favorecem a manutenção do doentio status quo histórico-cultural masculino e não adota o mesmo critério para todos os textos bíblicos. (A incoerência em termos de critérios hermenêuticos e a principal evidência do machismo impregnado na cultura eclesiástica)

Há violência contra a mulher dentro de lares “cristãos”, mesmo “evangélicos”, e isso se dá de diversas maneiras, inclusive física. O que podemos fazer contra?

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