Impessoas…

Você já esteve cara a cara com uma “impessoa”? Esta palavra faz sentido para você?
O termo foi usado pela esposa do ministro da Propaganda de Hitler. Referindo-se ao ditador nazista, Magda Goebbels saiu-se com essa pérola: “Hitler é simplesmente uma impessoa. Não se pode atingi-lo, tocá-lo” ( Jerônimo Teixeira, “A cenografia da maldade”. VEJA, Edição 1964, de 12 de julho de 2006 ).

Uma “impessoa”. Talvez alguém desprovido de humanidade, ou de sentimentos humanos. Talvez alguém impenetrável, inatingível. Talvez alguém frio, calculista, capaz das maiores atrocidades e incapaz da menor intimidade… Gente que muito fala e com todos, sem abrir-se com ninguém. Gente que esconde o ‘eu’, que representa e que ilude… Nem sei se é gente mesmo.

Agora talvez você já tenha condições melhores de responder às perguntas que iniciam estas linhas. Talvez agora você comece a se lembrar de pessoas ( espero sejam poucas ) que se enquadrariam bem na descrição de uma “impessoa”. Possivelmente elas estejam no seu ambiente de trabalho, na sua igreja ou mesmo na sua casa. Quem sabe você esteja agora mesmo sofrendo a dor de ter que conviver com uma “impessoa”?

“Impessoas” no trabalho tornam o ambiente irrespirável, pois são como paredes ou pilastras que separam e atrapalham as pessoas. Na igreja elas pulverizam a hipocrisia, pois a vida passa a ser o que parece e deixa de parecer o é. Na família a “impessoa” incita contendas, pois nunca é suprida e impede, o quanto pode, que os outros o sejam.

Há um abismo entre o Evangelho e a “impessoa”. Um não vive no outro. O Evangelho é essencialmente pessoal, íntimo e cheio de emoções. A “impessoa” é superficial em suas relações, artificial em suas expressões e racional em suas declarações. Quando chora ou sorri, a “impessoa” apenas representa para os outros e, no fervor da neurose, para si mesma. O Evangelho é feito de lágrimas de dor e de alegrias; é constituído de sentimentos e de vida; é finalmente amor.
O Evangelho é amor que renuncia, que perdoa e que se doa. É vida que se compartilha, é pão que se divide, é semente de paz e de harmonia que se planta a cada instante, em cada coração.

O Evangelho é graça temperando a justiça e amor temperando a razão. É dar a chance mesmo quando não é pedida, é ajudar o que merece açoite, é “olhar com simpatia os erros de um irmão, e todos ajuda-lo com branda compaixão.”

O Evangelho é graça que acolhe e que edifica. Que olha nos olhos, que não foge ao confronto e que conforta com o olhar de misericórdia e de tenro afeto. É luz que viabiliza a caminhada na escuridão: é lua de noite e é sol de dia.

O Evangelho, por fim, alcança a “impessoa” e faz dela uma pessoa. “Eu lhes darei um coração novo e uma nova mente. Tirarei deles o coração de pedra, desobediente, e lhes darei um coração humano, obediente.” ( Ezequiel 11:19 – NTLH ). Esta nova pessoa vai desejar o que é genuíno e autêntico, vai preferir a intimidade ao superficial e o verdadeiro ao artificial… Vai ser atingível, vulnerável e ensinável. Será nova criatura!

“É por causa do sangue que foi derramado, em prova do seu grande amor.”

(Autor: Lécio Dornas)

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